domingo, 30 de setembro de 2012

II Multiplicação do Curso Ética em Movimento em Roraima

É com grande satisfação que informamos a realização da II Multiplicação do Curso Ética em Movimento em Roraima, voltada para conselheiros da seccional Roraima do CRESS 15ª Região AM//RR, representantes da seccional nos conselhos de direitos e de políticas públicas e coordenadores de instituições formadoras de assistentes sociais, nos dias 18, 19 e 20 de outubro de 2012 perfazendo 24h/aulas presenciais e 23/11 com 8h/aulas de atividades extra-aulas (elaboração e apresentação de trabalho), local a confirmar.
O Curso é um projeto do Conjunto CFESS/CRESS que vem sendo desenvolvido desde 2000 e em Roraima a primeira turma ocorreu em 2009, visa a ampliação do debate ético, compreendendo-o no âmbito da atividade profissional, política e social de defesa dos direitos humanos numa perspectiva crítica, ultrapassando a sua dimensão meramente legal e formal.
            Maiores informações na Seccional Roraima através do telefone 95-3623-3703.

sábado, 15 de setembro de 2012

Carta de Palmas

         Vivemos em um momento sociohistórico em nível mundial e nacional cuja sociabilidade desrespeita barbaramente os direitos humanos, posto que mantém a propriedade privada e a concentração de riqueza,  intensifica o patriarcado, o racismo, a heteronormatividade e, que prioriza as necessidades do capital em detrimento das necessidades humanas.

Este é um tempo em que se reproduz, de forma hegemônica, o individualismo, a competição, a vaidade, a corrupção, a ausência de sentido ético na vida social. É um momento de profundo avanço do neoconservadorismo, em que os fundamentalismos religiosos se afirmam interditando o respeito ao Estado Laico de fato.

Há retrocesso de direitos historicamente conquistados,  intensificação da violência urbana e rural com o avanço do Estado penal que criminaliza a pobreza e os movimentos sociais. Ao mesmo tempo não podemos nos calar frente aos crimes praticados durante a ditadura. É necessário exigir que todos os arquivos sejam abertos, os torturadores sejam responsabilizados, que a verdade e a memória sejam amplamente divulgadas para conhecimento da sociedade.

No Brasil, impera a lógica geradora da desigualdade social e restritiva da liberdade que não propicia o desenvolvimento das potencialidades humanas como expressam alguns dados: entre junho e julho de 2012 a taxa de desemprego nas sete maiores regiões metropolitanas do país foi de 10,7% (DIEESE, 2012); o Brasil ocupa o 6º lugar no ranking mundial de homicídios entre jovens, sendo proporcionalmente 139% mais negros do que brancos (Mapa da Violência, 2012); existem mais de meio milhão de brasileiros encarcerados/as (DEPEN/MJ - 2011); apresenta o 1º lugar no ranking mundial de assassinatos motivados por homofobia/lesbofobia/transfobia, concentrando 44% do total de execuções de todo o mundo (Grupo Gay da Bahia, 2011); apesar da aprovação da Lei Maria da Penha, são assassinadas 4,6 mulheres por 100 mil habitantes do sexo feminino (Correio Brasiliense, 2011).

Entre as pessoas que estão sendo ameaçadas de morte por questões relacionadas aos territórios quilombolas, indígenas, ou de outras comunidades tradicionais, de 125 pessoas em 2010, houve aumento para 347, em 2011, um crescimento de 177,6% (Conflitos no Campo, Brasil, 2011). Sobre a população indígena os dados indicam que das 1.046 terras indígenas, apenas 363 estão regularizadas (Conselho Indigenista Missionário, 2011). A banalização da morte traz à tona os crimes praticados durante a ditadura militar: 50 mil prisões arbitrárias; 20 mil torturados; 10 mil exilados; 426 mortos e desaparecidos políticos (Caros Amigos, maio, 2012).

A realidade nos exige, numa perspectiva histórica e de totalidade, analisa-la, compreende-la criticamente e questionar: por que a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais tem sido o caminho do Estado brasileiro no enfrentamento da “questão social”? Quais são as consequências da internação compulsória, do encarceramento em massa e da politica higienista nas cidades? Qual é a verdadeira finalidade dos megaeventos? Quais são as consequências do aumento para a classe trabalhadora da cultura do voluntariado? Que país é este que extermina adolescentes e jovens, particularmente, negros/as?

O conjunto CFESS/CRESS compreende que a luta pela garantia de direitos humanos exige atitude anticapitalista e por isso defende como principais pressupostos: “1) A compreensão dos Direitos Humanos como algo que não se restringe aos direitos civis e jurídico-políticos, mas que diz respeito aos direitos econômicos, sociais e culturais; 2) A superação da visão ´legalista` dos direitos, trazendo-os para o âmbito da luta de classes e das contradições inerentes à (re)produção das relações sociais capitalistas [...]; 3) A compreensão crítica radical dos Direitos Humanos na sociedade contemporânea, que instrumentalize uma atuação realista, desmistificando as concepções liberais que naturalizam as desigualdades e as visões abstratas que tratam o homem ou a ´dignidade humana` sem levar em conta as particularidades históricas em que a humanidade se (des)constrói; 4) A necessidade de uma articulação com os movimentos de defesa dos Direitos Humanos, vinculando-a com a ´questão social`, com as políticas públicas [...]; 5) A compreensão das especificidades da luta pelos Direitos Humanos no âmbito das entidades profissionais como o conjunto CFESS/CRESS, articulando-a com os eixos: fiscalização, capacitação e denúncia” (CFESS Manifesta, 04/09/2012)

Neste horizonte, se impõe como desafio criar as condições de uma cultura política emancipatória dos direitos humanos na vida cotidiana. Requer também que sigamos lutando por outra sociabilidade, que afirme a emancipação e a diversidade humana, a liberdade e a igualdade substantivas.

Reafirmamos a concepção de Seguridade Social pública e universal expressa na Carta de Maceió (CFESS/CRESS, 2000) na defesa de uma política social comprometida com os interesses da classe trabalhadora.

Em meio à profunda precarização da educação e expansão do ensino privado, em particular o ensino de graduação à distância, persiste o desafio de lutar pela defesa da educação pública, de qualidade, presencial, laica, socialmente referenciada, para efetivação de uma formação e exercício profissionais comprometidos com a direção hegemônica do projeto ético politico.

No contexto de violação de direitos é importante a incidência política na proposta de novo Código Penal, para garantir avanços como a descriminalização do aborto e dos/as usuários/as de drogas, bem como de responsabilização de quem pratica homofobia, como também enfrentar propostas que ampliam penas e contribuam para o encarceramento em massa.

É tempo de reconquistar corações e mentes para o entendimento de que a luta coletiva permanece repleta de significado e sentido ético-politico. É tempo de resistir coletivamente e fortalecer a aliança com os movimentos sociais que afirmam e constroem alternativas à barbárie. É necessário disseminar uma cultura política emancipatória dos direitos humanos. O tempo presente exige organizar a resistência e avançar na luta em defesa de uma sociedade fundada na emancipação humana.
 

Palmas-TO, 09 de setembro de 2012


No mundo de desigualdade, toda violação de direitos é violência

SEM MOVIMENTO NÃO HÁ LIBERDADE

Campanha do Conjunto CFESS/CRESS

Gestão 2011 – 2014